Renato conversou conosco sobre suas motivações para realizar as ilustrações sobre a cidade e sua relação com o Cristo Redentor mas há muito mais nessa conversa…
1- Como surgiu a idéia do livro 36 Vistas do Cristo Redentor? Foi sua ou partiu da editora?
O Livro é uma idéia do Roberto Ribeiro, editor da Casa 21, sob inspiração de outros projetos semelhantes feitos pelo mundo afora. 36 Vistas do Cristo Redentor é um livro que já nasce com antecedentes históricos maravilhosos: no Japão, por exemplo, o Monte Fuji teve também as suas 36 vistas representadas graficamente pelo artista Katsushika Hokusai (aquele da célebre gravura A Onda) e na França tivemos Henri Rivière, que produziu em 1897 uma série de litografias com vistas da Torre Eiffel a partir de diversos pontos de Paris. Aquele trabalho se tornou um dos mais ambiciosos projetos em gravura colorida que a Europa havia produzido até então.
2 - Já há alguma ilustração produzida que possamos usar para divulgação?
Estou finalizando a pesquisa de imagens e referências visuais, e tenho algumas artes em execução. No próximo post, encaminharei a primeira imagem, ainda que não seja definitiva, pois, faltarão as últimas pinceladas de aquarela.
3 - Você dá aulas? De quê e aonde?
Sim. Tenho um ateliê-escola no bairro do Jardim Botânico, o Estúdio Marimbondo, e frequentemente sou convidado a levar minhas oficinas e palestras a diversas cidades do Brasil (São Paulo, Porto Alegre, Sul de Minas, Brasília, Recife, Olinda, Fortaleza e Manaus). Os assuntos das oficinas são vários. Tenho um curso sobre criatividade chamado Diário Gráfico e outros sobre aquarela e ilustração editorial. Em setembro, por exemplo, estive novamente em Olinda e Recife para realizar dois cursos, o Desenho de Locação e o Desenho Dinâmico. Também realizo cursos com equipes criativas de empresas (editora Abril, o pessoal do departamento de arte das marcas de roupas Redley e Richard’s). Em agosto, por exemplo, tive nas minhas oficinas a presença de duas equipes de design do O Globo (que fazem o jornal impresso e o Globo online).
4 - Faz ilustrações com regularidade para algum veículo de imprensa? Sei que costuma fazer para a Folha de São Paulo, mas há algum outro?
Ilustro também para editoras americanas como a Penguin, a Candlewick, a Farrar, Straus and Giroux, e também para revistas. Publiquei algumas vezes no caderno de literatura do New York Times. Apenas uma vez criei uma ilustração de humor (Lava Jato) e ao inscrevê-la no Salão Carioca de Humor, faturei o primeiro prêmio na categoria Cartum.
Gosto muito de trabalhar em projetos especiais também, como por exemplo, o mural que fiz para o Museu dos Heróis do Povo Brasileiro localizado na Cruzada São Sebastião, no Rio de Janeiro. Foi incrível ver minha ilustração com sete andares de altura e sete metros de largura! Tenho também curtido muito a série de ilustrações que fiz para a atual campanha da Nextel. Veja imagens aqui e aqui.
6 - Tem alguma expectativa específica para esse trabalho?
Tenho as melhores expectativas. O tema é um dos melhores que já tive em mãos, e, como sempre, estou colocando 100% da minha energia neste projeto.
7 - Tem filhos? Eles desenham também?
Tenho um menino, o Vicente, que está com 3 anos. Ele desenha e pinta, como toda criança. De vez em quando deixo brincar de Photoshop na minha tablet. Ele está aqui.
8 - Mantém alguma relação com outros ilustradores? Que relação e com quais ilustradores?
Sim, claro, com a internet, hoje, ninguém é uma ilha. Tenho muitos amigos na profissão, como o Rui de Oliveira, Orlando, Cárcamo, o Alê Abreu, o Hiro, Kako, Bueno, Benício e muitos outros a quem peço desculpas por não ter citado aqui. Aliás, vale citar que foi através de listas na internet e finalmente através da criação da Sociedade dos Ilustradores do Brasil que todos estes laços de amizade se estabeleceram.
9 - É influenciado por algum pintor ou ilustrador? quais?
Esta lista está em constante mutação. Desde sempre gosto muito da Kathe Kollwitz, do Goya, do Bruegel, do Rauschenberg. No início da minha formação olhava muito os artistas da tradição realista americana (Andrew Wyeth, Edward Hopper), os caras que passaram pela Brandywine School, que foi a primeira escola de ilustração fundada nos EUA (em especial o N.C. Wyeth, pai do Andrew que citei antes), e também os vitorianos Arthur Rackham e Edmund Dulac.
Existem também artistas que não foram de fato uma influência, mas que hoje eu curto muito, como o Brad Holland, o Henrik Drescher, a Lizbeth Zwerger, o Shaun Tan e no Brasil o Samuel Casal, o Orlando, o Kako e Bueno.
10 - Que trabalho seu considera mais importante e significativo? A série que fez para a revista de Domingo no início da carreira?
Este livro 36 Vistas do Cristo Redentor é, sem dúvida, o mais importante da minha carreira.
11 - O que considera essencial no trabalho de um ilustrador?
Saber contar uma história através das imagens que cria.
12 - Que técnicas mais gosta de utilizar?
Acrílica, aquarela e, nos meus trabalhos pessoais, a colagem.