Falta pouco…
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009O projeto 36 Vistas do Cristo Redentor entra em sua fase final, e por isso venho aqui apresentar rapidamente um pouco do caminho percorrido até o presente momento.
“Circulando pela cidade, às vezes chego a imaginar que o Cristo Redentor sempre esteve ali. Como se as próprias pedras do Corcovado tivessem ao longo de milênios - e com ajuda de alguma mágica - confabulado entre si e, lentamente, se organizado para, juntas, formarem a estátua.” Para mim, falar do Cristo, retratá-lo sob diversos ângulos é também traçar um paralelo com a cidade que está sob o olhar da estátua, é, sobretudo, manter o olhar atento a esta paisagem urbana que é o cenário onde se manifesta de maneira multifacetada o famoso espírito dito carioca.
Desenhar o Cristo envolveu um longo tempo de pesquisa, no qual foram feitas diversas incursões na paisagem carioca em busca de ângulos e temas interessantes. Nestes passeios onde tive o Redentor como bússola foram produzidas perto de 2.000 fotografias, diversos vídeos de curta duração, esboços e aquarelas foram feitas nos locais visitados, enfim toda uma pesquisa que resultou em um material muito rico visualmente. Tive também a valiosa oportunidade de ir a locais e conhecer pessoas que, de outra forma, não conseguiria.
Este é um livro onde temos ilustrações cuja produção exigiu o uso de mais de 40 fotos referências, combinadas e sobrepostas em um processo semelhante àquele empregado pelo artista David Hockney em seus Composite Polaroids.
O resultado são imagens intrincadas e detalhistas, verdadeiras crônicas visuais da cidade, aquarelas, nas quais o Cristo Redentor ora é parte silenciosa do cenário, ora se apresenta como elemento preponderante. As ilustrações mostram não somente a complexidade de estruturas urbanas como favelas ou prédios, mas também o porto, cenários industriais e até cenas fantasiosas.
Personagens (anônimos ou ilustres como o genial arquiteto Oscar Niemeyer) participam de alguns desenhos; noutros figuram mais de uma dúzia de caminhões, ou as centenas de lápides do Cemitério São João Batista, o trânsito caótico, a alegria do carnaval, os capoeiristas, ufa!!
Para escrever as legendas de algumas ilustrações do projeto 36 Vistas do Cristo Redentor convidei o jornalista Marcos Faria, cujo texto sensacional eu já conhecia desde o meu segundo grau (estamos falando dos tempos idos de 1985…), quando fazíamos uma dobradinha criativa nos artigos para o jornal do grêmio do colégio de São Bento. Poucos anos depois reeditamos aquela parceria dos tempos de moleque, desta vez na faculdade (eu fazendo design e ele comunicação), quando embarcamos num projeto de uma história em quadrinhos publicada pela ECO- Escola de Comunicação da UFRJ (um projeto capitaneado pelo Carlos Patati, autor do Almanaque dos Quadrinhos, e que na época era professor de uma disciplina eletiva de quadrinhos).
Continuei acompanhando o trabalho do Marcos Faria através do blog que ele edita, e sempre pensei na oportunidade de trazê-lo para participar de algum livro meu. A literatura do Marcos tem uma pitada de insólito, uma inteligência e um humor tão refinado que me arrisco a dizer que ele é um dos segredos mais bem guardados do nosso meio editorial. Que este 36 Vistas do Cristo Redentor seja o primeiro de muitos!
“Este livro traz um Cristo que, ao mesmo tempo em que representa a fé religiosa e a técnica humana, é também concreto e metáfora… É uma estátua que une uma cidade mesmo quando marca a sua profunda divisão. Paradoxal como a alma da cidade que ele representa e do país que ela resume.”













