36 Vistas do Cristo Redentor por Ilustrador
O PROJETO 36 VISTAS DO MONTE FUJI
O convite para ilustrar as “36 vistas do Cristo Redentor” é para mim a volta completa de um círculo cujo traçado iniciei por volta do ano de 1994, quando eu era ainda um jovem estudante de design gráfico em vias de me formar pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Naquela época havia decidido que meu projeto de conclusão de curso seria um “ensaio visual ilustrado” sobre a cidade do Rio de Janeiro. Para isso minha primeira atitude foi a de gastar sapato e partir em busca das histórias, já que o texto é a própria costela de onde nasce a ilustração. Ao percorrer ruas, praças e os muitos locais, fui buscando descobrir onde os personagens do meu projeto transitavam, e no processo, aprofundei minha relação com a cidade.

Subi e desci favelas, fiquei atento aos sons e cheiros urbanos, desenhei, fotografei e conversei com pessoas, li jornais e teses de sociologia, enfim, fiz-me de esponja para qualquer assunto que envolvesse a vida carioca. Então, no meio desse trabalho de campo aconteceu um fato que deu uma direção mais precisa para o meu exercício estudantil e aleatório de flanêur. O tema, inicialmente amplo e talvez ambicioso demais, ganhou um foco a partir do massacre da Candelária, ocorrido em 1993 no centro do Rio.

As manchetes berrantes nas capas dos jornais foram explícitas e destrincharam o crime sob os mais diversos ângulos. “A cidade cartão-postal mostra sua dura face da violência”. Nem o Cristo Redentor escapou de ser usado como contrapeso nas metáforas que descreviam o paradoxo na relação do paraíso com sua infância marginal. Mas, com o passar do tempo as letras foram ficando cada vez menores, perdendo importância para outros escândalos nacionais até que, inevitavelmente, o assunto “esfriou” por completo.

Por acreditar que tudo começava nas crianças, o meu trabalho prosseguia com o foco nelas, em especial as que habitavam as ruas do Rio. O título já havia sido definido, “Crianças Urbanas: Reportagem Ilustrada”, e o projeto já tinha a forma de uma série de aquarelas em preto e branco com uma forte influência do fotojornalismo, refletindo também questões sociais e narrativas que eu havia encontrado no trabalho dos meus artistas favoritos de então: Kathe Kollwitz, Goya (suas gravuras, especialmente), os fotógrafos Sebastião Salgado e James Nachtwey e também o ilustrador Norman Rockwell.

Quando finalmente apresentei “Crianças Urbanas” na universidade, ganhei nota máxima. Soube depois que aquela foi uma das cinco notas 10 que o meu orientador, o ilustrador Rui de Oliveira, havia dado em seus mais de 30 anos de magistério.

Seis meses depois de terminar a faculdade, li nos jornais que o julgamento dos acusados pelo crime da Candelária estava para acontecer. Para aproveitar o “gancho” daquele momento, coloquei meus originais debaixo do braço e, munido de fé e coragem, fui lá no prédio do Jornal do Brasil conversar com os editores da revista semanal Domingo. Deixei com eles então algumas reproduções das minhas aquarelas e cruzei os dedos. Quando o ensaio “Crianças Urbanas” foi finalmente publicado em uma matéria de 4 páginas naquela revista, minha carreira de ilustrador oficialmente começou (veja as ilustrações do ensaio "Mais sombra do que luz").

Agora me vejo novamente com a missão de aguçar meu olhar para o Rio de Janeiro como tema de uma série de ilustrações, desta vez trazendo o foco para a presença do Cristo Redentor na sua paisagem. Se antes já tinha por hábito lançar meu olhar para a estátua de onde quer que eu estivesse, nos últimos meses isso se tornou uma obssessão.

Mas onde está o ponto de vista inusitado, o improvável, o imaginativo, o narrativo, a perspectiva inédita daquela figura plácida que representa o próprio espírito do Rio de Janeiro? A regra primordial aqui foi buscar qualquer Cristo menos aquele do cartão postal. Mas sob que ângulos novos poderia enquadrá-lo então? A resposta surgiu também sob a forma de perguntas…

Quão distante ainda é possível vê-lo na paisagem? Em que situações improváveis podemos encontrá-lo? Que pessoas vivem sob seu olhar? Quais janelas o emolduram?

A escolha das ilustrações deste livro busca de alguma maneira estabelecer um diálogo com o observador, seja conduzindo-o a locais desconhecidos do Rio de Janeiro, seja mostrando-o maneiras novas de observar lugares familiares, ou então buscando estimular alguns vôos interpretativos ou de imaginação. O Cristo está lá sempre presente, ainda que às vezes quase imperceptível, como freqüentemente acontece na vida do carioca.
CRISTO REDENTOR 1
# 01
CRISTO REDENTOR 2
# 02
CRISTO REDENTOR 3
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CRISTO REDENTOR 4
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CRISTO REDENTOR 5
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CRISTO REDENTOR 6
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CRISTO REDENTOR 7
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CRISTO REDENTOR 8
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CRISTO REDENTOR 9
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CRISTO REDENTOR 10
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CRISTO REDENTOR 11
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CRISTO REDENTOR 12
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CRISTO REDENTOR 13
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CRISTO REDENTOR 14
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CRISTO REDENTOR 15
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CRISTO REDENTOR 16
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CRISTO REDENTOR 17
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CRISTO REDENTOR 18
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CRISTO REDENTOR 19
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CRISTO REDENTOR 20
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CRISTO REDENTOR 21
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CRISTO REDENTOR 22
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CRISTO REDENTOR 23
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CRISTO REDENTOR 24
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CRISTO REDENTOR 25
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CRISTO REDENTOR 26
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CRISTO REDENTOR 27
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CRISTO REDENTOR 28
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CRISTO REDENTOR 29
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CRISTO REDENTOR 30
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CRISTO REDENTOR 31
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CRISTO REDENTOR 32
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CRISTO REDENTOR 34
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CRISTO REDENTOR 35
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CRISTO REDENTOR 36
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Patrocínio
ExxonMobil
Esso
Apoio
Ministério da Cultura
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Realização
Casa 21