ENTREVISTA COM ANGELI - UM ARTISTA NU

Falando informalmente com o homenageado do FIQ, a poucos dias do evento, ele declarou seu entusiasmo com o trabalho revisitado, os tipos criados - vivos e fantasmas, e uma certeza de franca exposição e crescimento ao longo dos anos. Com alguma timidez, afirmou a convicção da maturidade no trabalho e revelou-se um cartunista nu - que expõe seu fígado dia-a-dia - com humores de um homem sem fel.

SOBRE O FIQ:
Acho muito importante um festival como esse, do porte de Minas, e com a ressalva de que é bem humorado. Constantemente freqüento salões de humor e sempre sou muito crítico. Alguns acabam 'comendo a si próprios'- fazendo mais cera e menos salão. O FIQ tem essa cara legal, tem humor - é uma coisa menos burocrática do que outros salões.

SOBRE A CIDADE
Sempre tive atração por Belo Horizonte. Conheço legal - a cidade é super agradável, bem resolvida em relação a São Paulo que já está muito caótica. BH parece mais inteligente, planejada, é mais arejada, as pessoas são hospitaleiras. Fiz bons amigos e boas noitadas na cidade.

HOMENAGEM - MEDOS E ACERTOS
Olhando os trabalhos antigos tive medo de chegar à conclusão de que os 30 anos não valeram pra nada. Não sou uma pessoa esotérica nem mística mas às vezes encaro um horóscopo - ser virgem com ascendente em virgem é um porre, acentuando o detalhismo, condutas e avaliações muito rígidas. Mas desativando a autocrítica confesso que morri de amores quando estava preparando o material da exposição. E percebi uma coisa que me deixou muito contente - nunca fui considerado menino prodígio. Todo 'genial' acaba fadado ao 'black-out', uma hora a luz apaga. Comecei aos 14 anos e era fraco, aos 15 continuava ruim, com o tempo houve um crescimento do trabalho e sem a história do menino gênio. Gostei de ser uma pessoa em evolução. Afinal meu trabalho é um grande divã, com vários personagens que me roeram algumas arestas.

O ARTISTA E O PÚBLICO
No contato com o público não levo personagens, ou incorporo algum tipo - nessa hora eu encarno o cartunista mesmo e sou uma pessoa que leva a sério a relação com o leitor. O desenhista é bastante solitário, e eu sou um pouco recluso, nem sempre tenho com quem comentar os trabalhos. Gosto das trocas com o público e desta forma o Festival acaba sendo o ponto de encontro. Estou a disposição para matar a curiosidade das pessoas.... mas eu também vou querer!!!